Por Paulo Lage
Esse é o desafio da indústria química brasileira que prevê alcançar o 4º lugar no ranking mundial do setor até 2020, como resultado de investimentos que podem chegar aos 200 bilhões de dólares e gerar cerca de 2 milhões de empregos diretos e indiretos.
Presente ao ato de lançamento do Pacto Nacional da Indústria Química que estabelece as diretrizes para esse crescimento espetacular, o Sindicato dos Químicos do ABC elogiou a iniciativa e destacou as medidas que entende necessárias para que a mesma seja sustentável e os empregos gerados sejam seguros e saudáveis.
Entre essas, o apoio técnico para a melhoria da gestão ambiental e de segurança em pequenas e médias empresas que integram a cadeia de produção da indústria química e empregam cerca de 90% dos trabalhadores do Setor.
Destacamos também a necessidade de um enfoque de ciclo de vida do produto e a responsabilidade das grandes empresas em compartilhar com pequenas e médias, a gestão do risco químico à saúde dos trabalhadores e ao meio ambiente, desde a elaboração do produto até a sua destinação final.
Um grave problema a ser superado no curto-prazo, alertamos, é o uso intensivo de agrotóxicos na produção agrícola brasileira. Estudos recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) detectaram substâncias químicas perigosas na maioria das frutas e verduras examinadas. Trabalhadores agrícolas acabam intoxicados e pode aumentar a incidência de câncer e deformações fetais em toda a população.
Moção de Apoio ao presidente da ANVISA e ao Ministro da Saúde pela divulgação pública dessa grave ameaça à saúde pública, foi aprovada no VI Congresso da CNQ/CUT por proposição do nosso Sindicato. Da indústria agroquímica cobramos responsabilidade social e ambiental, substituindo produtos perigosos por substâncias menos tóxicas e menos nocivas ao meio ambiente.
Para saltar do 9º para o 4º lugar no ranking mundial, sem tropeços, a indústria química brasileira deveria ampliar seus compromissos com os sindicatos de trabalhadores para a superação dos problemas apontados. Uma boa oportunidade é a negociação coletiva da categoria química, que se aproxima.
Se quiserem, de fato, crescer de forma sustentável, as empresas terão de incluir os sindicatos e as Comissões de Fábrica/SUR em suas políticas e
programas de gestão ambiental e da segurança e saúde do trabalhador.
Paulo Lage é presidente do Sindicato dos Químicos do ABC
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