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Acomodação no ritmo de crescimento da economia, elevação da inflação pelo aumento dos preços dos alimentos e aumento das importações: estes são os elementos macroeconô-micos que desafiam os trabalhadores em 2008.
O Produto Interno Bruto (PIB) encerrou o primeiro trimestre do ano com elevação de 5,8% em relação ao mesmo período de 2007, mesma taxa apurada para o acumulado nos últimos 12 meses até março, configurando a maior expansão para este período desde o início da série histórica. A demanda interna – determinada pela soma do consumo das famílias, consumo do governo e investimentos – cresceu 8,4% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2007. Entretanto, diminuiu o descompasso entre o consumo das famílias e a capacidade produtiva da indústria, que cresceu 7,3% no primeiro trimestre, acima da expansão de 6,6% do consumo das famílias. Isso é fundamental para o equilíbrio entre oferta e demanda, e este ajuste possivelmente já decorre da maturação dos investimentos das empresas, em expansão há 17 trimestres seguidos, desde o primeiro trimestre de 2004.
O aumento da taxa de investimentos é o aspecto mais positivo apresentado pela economia brasileira nos últimos tempos. No primeiro trimestre, a taxa de investimento em relação ao PIB alcançou 18,3%, a maior desde o ano 2000. A taxa é ainda modesta para as necessidades de crescimento do Brasil, mas tem apresentado inegável evolução nos últimos trimestres. A construção civil tem tido um papel destacado no crescimento do investimento, impulsionada pelo vigoroso aumento do crédito imobiliário e das obras públicas, estas alavancadas pelo PAC e pelas eleições municipais deste ano.
O comércio também segue crescendo. No primeiro trimestre de 2008, a expansão foi de 6,6% se comparada com o mesmo período de 2007. Os motivos desta impulsão continuam sendo o aumento do poder de compra da população (em função do crescimento da massa salarial e da expansão do crédito) e a redução dos preços de eletroeletrônicos e de informática.
A análise da inflação dos últimos 12 meses mostra que seu aumento se deve basicamente aos alimentos. A alta dos preços não foi generalizada, concentrando-se em apenas seis itens básicos da alimentação: arroz, feijão, carne, óleo, derivados do trigo e leite. As famílias mais prejudicadas são aquelas de menor poder aquisitivo que destinam grande parte de seus gastos para a alimentação e que passaram a consumir mais alimentos uma vez que houve crescimento do emprego, aumento real no salário mínimo e discreto crescimento da renda.
A economia deve desacelerar no segundo semestre em função do setor externo. Os dados das transações correntes seguem apresentando déficit, em função do aumento expressivo das importações, que no último ano têm crescido três vezes mais que as exportações, apontando para uma redução substantiva do saldo comercial ao longo do ano. A valorização excessiva do Real e o aumento das remessas de lucros e dividendos por empresas multinacionais com filial no país são os fatores que, somados, explicam a deterioração das contas externas do Brasil.
Em síntese, os resultados do PIB no primeiro trimestre apontam para um crescimento em torno de 5% em 2008. É previsível uma desaceleração da demanda no segundo semestre, em função do ciclo de aumento dos juros – que deve chegar a 14% no final do ano – e da desaceleração do consumo decorrente da inflação de alimentos, especialmente entre as famílias de menor poder aquisitivo. A inflação deve acumular alta próxima de 6,5% ao ano.
Thomaz Ferreira Jensen, assessor técnico do DIEESE.
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