Nota Pública do Sindicato dos Químicos do ABC sobre a crise internacional
Reunida em Santo André no dia 22 de janeiro de 2009, a Diretoria do Sindicato examinou cuidadosamente os possíveis efeitos da crise econômica internacional sobre a produção industrial no setor, na região, concluindo pelo que segue:
1- O Sindicato considera positivas as medidas adotadas pelo governo federal destinadas a proteger o emprego e o crescimento da economia, garantindo a valorização do Salário Mínimo, aumentando a oferta de crédito para o mercado, mantendo o nível de investimento do PAC, diminuindo a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis, ampliando o prazo para recolhimento de impostos pelas empresas, mantendo e ampliando os programas sociais, estimulando o consumo responsável do cidadão e procurando afastar a sensação de crise que pode levar à contenção do consumo, entre outras que ainda estão para serem implementadas;
2- O Sindicato lamenta, entretanto, a omissão e a falta de iniciativa do governo do Estado, detentor de importante parcela dos tributos que incidem diretamente sobre a produção industrial e o consumo do cidadão, como é o caso do ICMS e do IPVA;
3- Entende que essa postura reflete e reforça o caráter conservador e irresponsável de parcela das elites industriais paulistas que aportaram ganhos importantes durante longo período de crescimento, e que agora, ao primeiro sinal de desaceleração econômica, procuram restringir as constrições e perdas aos trabalhadores e suas famílias;
4- O Sindicato dos Químicos do ABC tem a convicção de que a melhor saída para uma situação de crise como essa é evitar a dispersão de propósitos e a deflagração de iniciativas desagregadoras, devendo, pelo contrário, o conjunto dos atores sociais focar uma direção única, que preserve o rumo do crescimento e do desenvolvimento sustentável que vimos alcançando nos últimos anos, com redução da pobreza, elevação da renda e aumento do nível do emprego;
5- Os dados de que dispõe o Sindicato demonstram a circunscrição dos efeitos da crise internacional a determinadas empresas da categoria, intrinsecamente vinculadas a algumas empresas do setor automotivo;
6- As demissões havidas até o momento nas indústrias do ramo químico na região relacionam-se mais a elementos próprios da sazonalidade de alguns setores do que a eventos decorrentes da crise internacional;
7- Sensível a essa realidade e coerente com essa constatação a Diretoria do Sindicato resolveu analisar cada situação de maneira particular e sem generalizações, priorizando o encontro de soluções que valorizem o sentido e a responsabilidade da empresa frente à comunidade;
8- Assim, repudiamos veementemente a abordagem liberal que apregoa a desregulamentação como solução para as dificuldades frente à crise internacional, até porque é evidente o fato de que dessa receita falida se originou a própria crise que ora derrete o sistema financeiro internacional;
9- Com muita ênfase e convicção, apoiamos e reiteramos as decisões e diretrizes emanadas da Central Única dos Trabalhadores – CUT, que rejeitam o caminho da recessão, do desemprego e da supressão de direitos e mobilizam os trabalhadores para defender os seus empregos, os seus salários e os meios de sustentação digna de suas famílias;
10- Não economizaremos esforços para barrar os oportunistas de momento, ao tempo em que procuraremos as entidades representativas dos empregadores do ramo e o Governo do Estado de São Paulo para propor medidas concretas como redução da jornada de trabalho sem redução de salário, contenção de demissões imotivadas e a redução efetiva do ICMS para os setores de resinas sintéticas e de transformação plástica.
Santo André, 23 de janeiro de 2009.
Diretoria do Sindicato dos Químicos do ABC
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