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Amazônia Fica, Temer sai!

Por Lucineide Varjão  - Presidenta da CNQ-CUT e co-presidenta da IndustriAll Global Union - América Latina e Caribe; e Daniel Gaio - Secretário do Meio Ambiente da CUT Nacional

s faces do golpe são muitas e a certeza cada dia mais evidente é que a soberania brasileira é caso de entreguismo ao capital internacional. Raul Seixas cantou na década de 1980 quase que uma profecia: “A Amazônia. É o jardim do quintal. E o dólar deles. Paga o nosso mingau...”.  Os tais dólares são os investimentos estrangeiros, a Amazônia é o novo grande alvo e não há mingau ou migalhas para o povo.

O setor mineral no Brasil está totalmente inserido na perversa lógica economicista de atração de investimentos a qualquer custo, seja ambiental ou social. Após a publicação das MPs que tratam de uma suposta revitalização da indústria mineral, chegou a vez da extinção da RENCA (Reserva Nacional do Cobre e Associados). Trata-se de uma área com mais de 46 mil quilômetros quadrados, maior que todo o território da Dinamarca, localizada nos estados do Pará e Amapá.   Uma região que possui riquezas minerais como ouro, ferro e cobre que são finitas, não renováveis e uma grande incalculável riqueza natural de extensa biodiversidade.

O coração da floresta amazônica, importante não apenas para a questão ambiental nacional, mas também por exercer total influência sobre a dinâmica do clima mundial, foi extinto em mais uma canetada do golpista Michel Temer. O decreto foi promulgado em 23 de agosto, repercutiu negativamente em todo o mundo, a pressão forçou a revogação e um novo texto foi anunciado.  Porém não há mudanças significativas, o conteúdo é o mesmo, ou seja, a exploração continua permitida.  O governo golpista apenas maquiou o primeiro decreto, o Ministério do Meio Ambiente é totalmente figurativo e reforça os interesses do capital internacional.

Se por um lado as grandes mineradoras sabiam de maneira antecipada e privilegiada das ações do governo, por outro, o povo não participou de nenhuma discussão. Os ambientalistas, os movimentos sociais e a comunidade local não foram consultados. Não houve debate, as medidas são tomadas de maneira apenas a beneficiar o mercado.  É necessário discutir qual o modelo de desenvolvimento econômico e o social que o país quer adotar, todas estas ações que priorizam produtos primários para o mercado externo fazem parte de um modelo vencido e ultrapassado que apenas concentra riqueza.

As tragédias brasileiras que envolvem a mineração são muitas.  São vidas de trabalhadores e trabalhadoras mutiladas ou contaminadas por conta de negligência das empresas. É o desmatamento e a contaminação de rios.  As populações atingidas socialmente com a violação de direitos humanos e mesmo através da restrição ao acesso à agua potável.  O meio ambiente que sofre com danos irreversíveis e as futuras gerações que será impactada negativamente.  É a herança maldita da Serra Pelada e todo o retrocesso social e ambiental. É Mariana, e o grande crime ainda impune.

A recente mobilização pela Floresta Amazônica é uma iniciativa louvável, mas é importante deixar claro que ser a favor da Amazônia é ser contra o governo golpista do Temer e contra o capital que o apoia. Portanto, a luta atual é sobretudo contra o golpe!  Os ambientalistas, os movimentos sociais e os trabalhadores precisam de união para o fortalecimento deste velho novo desafio. #AmazôniaFicaTemerSai.

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Lucineide Varjão

Lucineide Varjão

Presidenta da CNQ-CUT