Kingston sediou, de 7 a 13 de março, a Conferência Latino-Americana e Caribenha sobre Segurança Química
O acidente envolvendo a empresa Di-All Química, em Diadema, no mês de março do ano passado, foi citado no último dia da Conferência Latino-Americana e Caribenha sobre Segurança Química, que terminou neste sábado (13), em Kingston (Jamaica). O incêndio, seguido de fortes explosões em uma área residencial foi colocado como exemplo do desafio que representam as pequenas e médias empresas para as autoridades públicas, em relação aos produtos químicos perigosos.
Segundo especialistas das Agencias das Nações Unidas presentes à Conferência, a falta de acesso a novas tecnologias (como processos de produção mais seguros) e a falta de conhecimento especializado representam as principais dificuldades das pequenas e médias empresas em relação à gestão do risco químico.
Para os representantes dos governos do México, Peru e Bolívia, a dificuldade de ação integrada dos órgãos de estado em diferentes níveis (Federal, estadual e municipal) e setores (saúde, defesa civil, licenciamento e bombeiros, por exemplo) constitui outro obstáculo para a prevenção e o enfrentamento de incêndios, explosões e vazamentos de produtos químicos, cujas conseqüências podem prejudicar a comunidade.
Para o Engº Nilton Freitas – assessor do Sindicato dos Químicos do ABC e representante da ICEM na Conferência – o evento na Di-All “alertou para a necessidade de aprimorar os meios de comunicação de risco e de participação da comunidade na prevenção de acidentes químicos ampliados.” Afinal, “há indícios evidentes de migração do risco químico das grandes indústrias – submetidas a um maior controle do Estado e dos sindicatos – para pequenas e médias, sem muito controle social”, disse Freitas.
Projeto de Lei de autoria do vereador Orlando Vitoriano (PT) tramita na Câmara Municipal de Diadema com o objetivo de inserir entre as atribuições do concorrido Conselho Municipal de Segurança Pública, a possibilidade de receber denúncias sobre empresas suspeitas de não cumprirem as normas de segurança dos produtos químicos, que inclui, entre outras, o dever de informar a vizinhança sobre os riscos e prepará-las para eventuais situações de emergência.
A Conferência
A Conferência Latino-Americana e Caribenha sobre Segurança Química, ou 2ª Reunião Regional do Enfoque Estratégico para a Gestão Internacional dos Produtos Químicos (SAICM, na sigla em inglês), é promovida pelo Grupo da América Latina e Caribe do SAICM, que reúne organismos internacionais, governos, sindicatos, empresas, comunidades, ONGs, profissionais e especialistas de diversas áreas do conhecimento no sentido de alcançar a gestão segura e saudável dos produtos químicos desde o local de trabalho até o nível global.
Com informações do engenheiro de segurança Nilton Freitas, assessor do Sindicato dos Químicos do ABC e coordenador do projeto “Facilitar a implementação de SAICM pelos trabalhadores/as no local de trabalho” no Brasil.
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