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Com informações da Agência Carta Maior e do Sindicato dos Bancários de São Paulo.
Foto: Eduardo Seidl (Agência Carta Maior)
O Fórum Social Mundial 2009, realizado pela primeira vez na Amazônia, em Belém do Pará, chegou ao fim neste domingo (1°) com um total de 133 mil participantes inscritos, de 142 países, informou a organização do evento. O número de pessoas envolvidas no FSM reunindo participantes e trabalhadores chegou a 150 mil.
O último dia do Fórum foi marcado pela realização de assembléias setoriais temáticas, pela parte da manhã, com a divulgação de algumas conclusões dos debates. Na parte da tarde, ocorreu a Assembléia das Assembléias, com apresentação de algumas propostas de campanhas globais que devem ser lançadas em 2009. Local e data do próximo FSM não foram definidos no domingo. O que está definido é que deverá ser em um país da África, em 2011.
Gilberto Maringoni, da Agência Carta Maior, destaca três iniciativas de envergadura do encontro de Belém. O primeiro foi a assembléia realizada na tarde do dia 29 entre os movimentos sociais e os presidentes da Venezuela, da Bolívia, do Paraguai e do Equador. O segundo, simultâneo, marcou a presença da ministra Dilma Rousseff e de várias dirigentes políticas do Brasil e do exterior. E a apoteose aconteceu à noite, no ato para 12 mil pessoas, com a presença de Lula e Hugo Chávez, Evo Morales, Fernando Lugo e Rafael Correa.
“Foi um dos melhores momentos de todas as oito edições do FSM. Lula, que participou de quatro das iniciativas em Porto Alegre e marcou presença por duas vezes em Davos, decidiu não subir aos montes suíços neste ano. Mais do que ninguém, ele sabe do possível desgaste em associar sua imagem à parte dos financistas responsáveis pela crise econômica internacional”, comenta.
Dilma: "O Consenso de Washington foi uma experiência desastrosa"
No ato organizado pela Fundação Perseu Abramo, a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, teve seu nome cantado como candidata à presidência da República. Dilma falou daquilo que compõe mais radicalmente sua trajetória como dirigente política e partidária, que é o debate sobre desenvolvimento econômico e combate à desigualdade. Atacou o “a experiência desastrosa do Consenso de Washington”, cuja ênfase no ajuste fiscal retirara a agenda, mesmo a concentradora de renda e poder, do desenvolvimento com crescimento econômico e diagnosticou o que considera a virtude do governo Lula:
“Eu acredito que a grande virada do nosso país na história recente foi uma espécie de "decifrar a charada" do governo Lula. Assim como outros partidos que integram esse campo: nós sempre dissemos que não haveria crescimento econômico neste país sem os seus 190 milhões, incluídos”. Aí está a resolução da charada, segundo Dilma.
“Eu queria falar um pouco para vocês sobre uma questão que é crucial, hoje. Queria fazer uma reflexão sobre a crise que estamos atravessando. Esta crise não começou nos países pobres. Ela é uma crise dos países desenvolvidos. E ela tem uma característica muito forte da relação entre o setor produtivo e o setor financeiro, que não produz coisa alguma. Essa crise dos derivativos é também a crise de um pensamento que defendeu que o Estado devia ser curvar ao mercado, e que o mercado é perfeito e se autoregulava e que esse mercado dava conta de tudo, e que o estado seria de preferência, quanto menos, melhor. Pois eu quero dizer a vocês que o mercado tem de ser controlado, sim”, disse a ministra.
A afirmação de Dilma ganhou uma ilustração expressiva no cenário internacional. Nesse mesmo dia 29/01, um milhão e meio de franceses e francesas saíram às ruas do país para protestar contra o desemprego e o ataque do governo Sarkozy aos serviços públicos. Em várias partes do mundo, é o Estado que vem sendo convocado a resolver os problemas causados pelo modelo que teve em Davos um de seus principais centros de formulação e propaganda.
O encontro com Lula
Na noite do mesmo dia 29, cerca de 12 mil pessoas aglomeraram-se no Hangar, imenso salão de convenções, em atividade promovida pelo Ibase, pelo Instituto Paulo Freire e pela Central Única dos Trabalhadores, que reuniu os presidentes da Venezuela, da Bolívia, do Paraguai e do Equador. Telões ampliavam as imagens dos cinco dirigentes.
O presidente Lula repetiu diversas vezes que o Estado tem de continuar investindo no país e que o emprego em última análise é que vai tirar o país da crise. Para o Lula a crise aconteceu por causa da falta de controle sobre os mercados financeiros.
"O Estado é que tem que construir o país e não o mercado. Eles se perderam por causa da falta de controle, especulação via mercado futuro", disse Lula.
Para o presidente esta é uma oportunidade de os países emergentes se desenvolveram por meio de uma política de transferência de renda.
"A crise é tão grave e nós não sabemos seu fundo. Os países mais desenvolvidos estão mais fáceis de sair da crise. Temos que disputar o G20, ter o controle do mercado financeiro. Temos uma chance extraordinária. A crise não teve início em nosso país. As exportações estão caindo. A China não cresce tanto mais. Nos EUA e UE tem recessão. O Estado tem de investir. Precisa de emprego", completou.
Os números do FSM:
1- Total de participantes – 135 mil
2- Participantes inscritos no acampamento – 15 mil
3- Crianças recebidas na Tenda Curumim-Erê – 3 mil crianças
4 - Trabalhadores voluntários, tradutores, equipe técnica e representantes de entidades organizadoras – 4.830
5- Expositores de tendas, feira institucional, feira da economia solidária, restaurantes e lanchonetes – 5.200
6- Eventos culturais – 200
7 - Artistas – 1000
8- Profissionais comunicadores da imprensa oficial, mídia alternativa ou freelancer – 4.500/ sendo 2.500 credenciados e 2.500 à distância.
9- Entidades e organizações inscritas – 5.808
Por cada continente:
África – 489
América Central - 119
América do Norte – 155
América do sul – 4.193
Ásia – 334
Europa – 491
Oceania – 27
10- Atividades autogestionadas inscritas – 2.310
11- Veículos de comunicação credenciados - 800 veículos de equipes de 30 países.
12 - Pesquisas de perfil de participantes - aproximadamente 2.150 entrevistas por amostragem.
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