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LGBT+: vencer a ignorância para acabar com o preconceito

Debate promovido pela Comissão de Mulheres Químicas do ABC põe o dedo na ferida: discriminação, violência e exclusão são consequências da sociedade patriarcal em que vivemos

Symmy Larrat foto MARCELLO CASAL JRAGÊNCIA BRASILNa manhã do sábado 17 de outubro, a Comissão de Mulheres Químicas do ABC promoveu um debate virtual sobre GÊNERO, com a participação de Symmy Larrat. uma mulher trans paraense com uma trajetória de vida impressionante. Symmy é presidenta da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT), a maior associação do continente latino-americano.  Foi a primeira transexual a ocupar a função de coordenadora-geral de Promoção dos Direitos LGBT, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, no governo de Dilma Rousseff, e coordenou o programa "Transcidadania", na gestão Fernando Haddad, em São Paulo. Atualmente está também à frente de um projeto para a criação de uma Casa de Acolhimento para as a população LGBT+ em São Bernardo do Campo.

Symmy iniciou sua explanação explicando duas coisas que as pessoas confundem ou não sabem o significado: orientação sexual e identidade de gênero.

Orientação sexual, explicou Symmy, é a relação da pessoa com o externo. “Todos temos orientação sexual, que pode ser atração pelo mesmo gênero, que chamamos de homossexual; pelo outro gênero – heterossexual; ou ainda por diversos gêneros -  bissexual etc.”.

Já a identidade de gênero é a relação da pessoa com ela mesma. “É a relação que a tenho comigo mesmo, onde me entendo nesse lugar. É comum a gente achar que é o órgão sexual que determina isso, mas muitas pessoas, apesar da genitália, se identificam com outro gênero”. E Symmy exemplificou: “Biologicamente nasce com um pênis, mas se entende como mulher, ou então nasce com uma vagina, mas se vê como homem. Esses são os chamados transgêneros”.

Ela ressalta que temos classificados mais de 60 gêneros, além do masculino e feminino, daí o termo diversidade.

Sociedade patriarcal

A descriminação, o preconceito, a violência e exclusão da população LGBT+ são consequências da sociedade patriarcal em que vivemos e seu conceito moral, pontua Symmy. “Pessoas que são consideradas ‘fora das normas’ são rotuladas como pecadoras ou imorais, portanto são discriminadas e excluídas. Por isso dizemos que a violência contra a população LGBT+ é uma violência de gênero”, explica.

Para Symmy, o debate que levou Bolsonaro à presidência foi um debate moral. “Dizem que a gente quer destruir a família e não fazem o debate necessário, só geram o medo, que é o combustível do fascismo”, destaca.

Como acabar com o preconceito e a violência? “Vencendo a ignorância”, responde Symmy. “Precisamos falar sobre orientação sexual e identidade de gênero. Precisamos naturalizar essa discussão em todos os locais, inclusive nos sindicatos. O que promove a violência é o preconceito”.

LGBTIfobia mata

Desde o início do isolamento social devido à pandemia, a violência contra pessoas trans explodiu. Houve um aumento de 70% dos casos de violência contra mulheres trans e travestis em comparação com o ano passado: foram 129 assassinatos até o dia 31 de agosto deste ano de acordo com os dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA).

Além da violência física, das agressões no meio da rua, mulheres trans e travestis ainda são vítimas de assédios virtuais, violência psicológica, negação de direitos, recusa de acesso ao trabalho formal, entre outras. O Supremo Tribunal Federal (STF) tipificou LGBTIfobia como um crime, mas como ocorre com o racismo e o feminicídio, a lei não é suficiente para conter a brutalidade.

“Em nome dessa moral as pessoas estão nos matando”, denuncia Symmy. “Além de defender direitos trabalhistas e demais direitos, precisamos enfrentar esse discurso moral, caso contrário essas pessoas vão continuar ocupando lugares de poder e acabando com todos os nossos direitos. Defendemos o direito à vida, ao amor, a termos uma família e a violência que estão promovendo está nos destruindo”.

Envolvimento do movimento sindical

Ao final da explanação, a diretora do Sindicato e coordenador da Comissão de Mulheres Químicas do ABC, Lucimar Rodrigues, agradeceu a participação de Symmy e ressaltou a necessidade de levar essas discussões para as ações sindicais e contribuir para acabar com o preconceito. “Vivemos numa sociedade doente e é extremamente importante conscientizar nossas crianças, conscientizar a todos sobre a luta contra a discriminação e o preconceito, você hoje nos proporcionou uma aula maravilhosa, vamos trazê-la mais vezes para debater com nossa diretoria e militância e envolver o movimento sindical nessa luta, que também é nossa!”, exclamou Lucimar.

Ana Paulo Lupino, vice de Luiz Marinho na chapa que concorre ao pleito do próximo dia 15 em São Bernardo do Campo, fez questão de saudar as participantes do debate, destacando a importância de eleger candidatos e candidatas para termos um governo de equidade. “O respeito efetivo para todos, independente de gênero, raça e religião: isso é fundamental para uma sociedade, isso é fundamental para a democracia”, afirmou Lupino.

 

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